Vamos conversar sobre BLW “Baby-led Weaning”!
Vamos conversar sobre BLW “Baby-led Weaning”!

Vamos conversar sobre BLW “Baby-led Weaning”!

Você já deve ter ouvido falar em varias técnicas de introdução alimentar, ou de como deve iniciar a alimentação do seu filho. Essa fase sempre vem carregada de mitos, crenças, portanto nesse artigo vou tentar aliviar um pouco essa carga mostrando que a introdução alimentar participativa pode e deve ser um momento de alegria e prazer tanto para o bebê quanto para toda a família. Vamos lá?
Na introdução alimentar tradicional, aquela em que são oferecidos alimentos na forma de purê, os pais que decidem quando e como o bebê começa a comer e quando acaba a alimentação à base de leite. Já no método baby-led weaning, o bebê tem autonomia para decidir quando começa e quando termina todo esse processo e a alimentação é baseada nos seus instintos inatos e na sua capacidade de auto regulação.
O método BLW é uma abordagem de introdução alimentar que junta o “oferecer alimentos saudáveis” com “compartilhar as refeições da família”, garantindo de que apenas o bebê coloque comida em sua própria boca. Aos pais e seus cuidadores, fica o cargo de oferecer alimentos palpáveis desde o início, possibilitando assim que eles peguem com suas próprias mãos e o cargo de confiar que ele sabe se deve comer o que comer, o quanto e com que rapidez (Rapley, 2016).
Assim como a Introdução Alimentar Tradicional, o BLW também está cerceado por crenças que dificultam o entendimento da abordagem e, portanto, dificultam sua aceitação. Inúmeras famílias adaptam-se completamente ao BLW, sendo urgente a desmistificação de alguns conceitos para que os profissionais da saúde que acompanham essas famílias estejam aptos e prontos para aconselhá-las.
Essa técnica consiste em oferecer alimentos com cortes adequados, para que a criança consiga manusear os alimentos a fim de levar a boca, portanto, ter a instrução adequada de como fazer os cortes dos alimentos para que o bebê possa pegá-los é muito importante, pois, de outra forma, suas habilidades seriam insuficientes pra que ele tivesse autonomia pra se auto alimentar, sem interferência, desde o início.
Embora seja uma etapa fundamental do processo, o objetivo principal de cortar os alimentos é que a partir da apresentação dos alimentos em pedaços, o bebê seja capaz de ser o protagonista da sua própria alimentação.
Assim, BLW é mais do que apenas oferecer sua comida para o bebê pegar, é sobre a confiança dele para saber o que ele precisa. Se você está preocupado em oferecer o que restou com uma colher, depois do bebê ter comido com suas próprias mãos, então você não está realmente confiando nele. E o ponto é que confiar em seu bebê e não confiar muito nele é simplesmente inconciliável (Rapley, 2016).

“Bebês não conseguem mastigar e engolir pedaços”
Essa é outra crença que precisa ser desmistificada, claro que ainda falta muito estudo, mas com embasamento no que já temos podemos tirar algumas conclusões.
O BLW considera o desenvolvimento da maioria dos bebês aos 6 meses, incluindo a prontidão para receber alimentos, sob diferentes perspectivas: o sistema gastrodigestivo está mais preparado, o controle postural permite que o bebê comece a sentar sem apoio por volta desta idade, os primeiros dentes podem começar a nascer, o bebê adquire maior movimentação da musculatura proximal e distal, conseguindo alcançar, agarrar objetos e levá-los à boca, o que leva à inibição do reflexo de protrusão de língua. O reflexo de gag ainda encontra-se anteriorizado, protegendo o bebê contra engasgos, principalmente no início, onde eles ainda estão aprendendo a mastigar.
Vale ressaltar que estamos falando de bebês nascidos a termo, em desenvolvimento típico. Quaisquer condições que dificultem ou prolonguem demasiado o aprendizagem da auto alimentação, com certeza fazem com o que o BLW seja repensado. Cada caso deve ser avaliado individualmente pelo profissional de saúde que acompanha a família e o bebê.
Cichero (2016-2), em uma revisão de literatura, tenta reforçar que os bebês precisam passar por uma fase de transição, aprendendo a mastigar por meio da exposição à comida com pequenos pedaços macios, passando a mastigar de forma segura, alimentos naturalmente macios, como banana e abacate, apenas a partir dos 10 meses. Toda a base de seu estudo e revisão é de datas anteriores à descrição do BLW e, como já coloquei anteriormente, não há como explicar o BLW através de pesquisas, sobre mastigação, feitas com bebês em introdução alimentar tradicional.
De fato, não há evidência de que os bebês BLW estejam mais em risco de engasgamento do que bebês que são alimentados com colher. Na verdade, o oposto pode até ser verdade, uma vez que os bebês BLW têm a oportunidade de praticar a mastigação a partir do momento em que as habilidades relevantes estão se desenvolvendo. Além disso, uma vez que não estão sobre pressão para comer, eles são capazes de se concentrar no alimento e comer conscientemente, em seu próprio ritmo, o que lhes permite concentrar-se no que está acontecendo dentro de sua boca.
É claro que ainda existem questões não respondidas, como a ingestão adequada de micronutrientes, por exemplo. E para isso precisamos de mais estudos específicos com o BLW. Mas já temos o suficiente para mudar as práticas tradicionais e estimular a participação ativa do bebê no processo de introdução alimentar.
Então vamos nos unir para incentivar esse tipo de abordagem mesmo que para algumas famílias o BLW não se encaixe. Dá pra fazer muito bem às nossas crianças ainda que elas não comam sozinhas os alimentos inteiros desde o começo. Basta apresentá-los na textura adequada, separados, com calma e respeitando as escolhas do bebê no que diz respeito a o que, quando e em que quantidade ele quer comer.

Mônica R. Pohlenz Stolarski é nutricionista e pós-graduada em Nutrição Clinica com área de concentração em Alimentação Institucional – CRN 8 6467
Atende no antigo Filadélfia
Rua Mato Grosso, 640 – Centro
Marechal Cândido Rondon-PR
Fone: (45) 3284-7100.

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