Leite, vilão ou mocinho?
Leite, vilão ou mocinho?

Leite, vilão ou mocinho?

Este é sempre um tema polêmico: há pessoas que recomendam abolir estes produtos da dieta e há os que afirmam ser de extrema importância para o organismo humano. Neste contexto, procurarei passar informações sobre a importância do consumo de leite e derivados lácteos para o ser humano, pois nem sempre estas chegam até nós.

O leite e seus derivados merecem destaque por constituírem um grupo de alimentos de grande valor nutricional, uma vez que são fontes consideráveis de proteínas de alto valor biológico, além de conterem vitaminas e minerais. O consumo habitual desses alimentos é recomendado, principalmente, para que se atinja a adequação diária de ingestão de cálcio, um nutriente que, dentre outras funções, é fundamental para a formação e a manutenção da estrutura óssea do organismo (Muniz et al., 2013).

Os resultados da última edição da Pesquisa de Orçamento Familiar 2008-2009 (POF) indicam que a ingestão de leite e derivados é maior conforme ocorre o aumento da renda familiar e do grau de escolaridade da população. Dentre os lácteos, o leite integral é a variante preferida de consumo, apresentando participação média de ingestão de 12,4%, sendo ligeiramente mais frequente entre as mulheres (13%) do que entre os homens (11,8%) (IBGE, 2010). A POF destaca também que a aquisição de leite de vaca fresco (ou cru) ainda é uma conduta adotada por uma minoria dos brasileiros, em particular àqueles da área rural, sendo que para estes a ingestão foi 211% maior do que a média nacional.

Para indivíduos saudáveis que necessitam de 2.000 kcal/dia, recomenda-se o consumo diário de três porções de lácteos como forma de contribuir para que sejam atingidas as recomendações diárias. Um copo de leite (200 mL) corresponde a uma dessas porções.

Variedades modestas de vegetais verde-escuros e de frutas secas também são consideradas boas fontes de cálcio. Elas representam cerca de 16% da ingestão total diária desse mineral contribuindo, de forma complementar às fontes lácteas (FAO, 2013).

É importante ressaltar que não se pode ignorar a relevância de fatores que influenciam na absorção e utilização do cálcio. Fatores como os fisiológicos, a composição da dieta e os componentes do próprio leite (como a presença de lactose) podem interferir na biodisponibilidade deste mineral.

Alimentos ricos em ácido oxálico, como o espinafre, a batata doce e o feijão possuem menores taxas de absorção deste componente quando comparada ao leite (Weaver e Heaney, 1991). A taxa de absorção de cálcio do espinafre é de apenas 5%, enquanto que a do leite, ingerido em quantidades semelhantes, é de aproximadamente 30% (Weaver e Heaney, 1991). O ácido fítico, presente nos alimentos ricos em fibras, é um componente que, em altas concentrações, contribui consideravelmente para diminuir a absorção de cálcio. O mesmo acontece com as fontes concentradas de fitatos, como farelo de trigo, cereais ou grãos secos (Miller, 1989; Buzinaro et al., 2006).

Assim, embora certos vegetais sejam fontes de cálcio, é preciso ingeri-los em quantidades relativamente superiores à do leite para que sejam atingidas quantidades significativas deste mineral. Dessa forma, os alimentos vegetais considerados fontes de cálcio poderiam ser utilizados em associação com produtos de maior teor/biodisponibilidade como coadjuvantes para que as metas dietéticas adequadas de cálcio sejam atingidas entre os indivíduos que não querem ou não podem ingerir o leite de vaca por algum motivo (Buzinaro et al., 2006).

Os lácteos são considerados boas fontes alimentares de cálcio uma vez que possuem alto teor deste mineral com alta biodisponibilidade. O leite integral contém, em média, 120 mg por 100 mL de cálcio; já os iogurtes 140 mg por 100 g. O cálcio também está presente em alimentos de origem vegetal, no entanto, a média encontrada nos legumes é de apenas 35 mg por 100 g, e a das frutas cítricas, de 20 mg a 40 mg por 100 g.

Fica a dica, pode ser difícil obter a quantidade recomendada diária de cálcio com a exclusão total do leite (Hands, 2000; TACO, 2011).

* Keli Lang Schäfer é nutricionista e pós-graduada em Nutrição Humana com área de concentração em nutrição clínica – CRN 8 3198

Atende no antigo Filadélfia
Rua Mato Grosso, 640 – Centro
Marechal Cândido Rondon-PR
Fone: (45) 3284-7100

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *