AVC/Derrame: uma doença de todas as idades

Por Bruno Rigon*

 

A incidência de acidente vascular cerebral isquêmico (AVC/Derrame) está fortemente correlacionada com o aumento da idade, sendo uma das principais causas de morte em idosos.

Conhecer o acidente vascular cerebral isquêmico na população mais jovem é de grande importância pois o espectro etiológico é diferente de indivíduos mais idosos. Em pessoas mais velhas, em geral maiores de 60 anos, destacam-se como principais etiologias as arritmias cardíacas, placas de gorduras em artérias carótidas que soltam êmbolos e eventos associados a Hipertensão arterial mal controlada. Já em jovens, em especial aqueles abaixo dos 60 anos, outras causas de acidente vascular cerebral isquêmico, como a dissecção da artéria cervical ou cerebral, a presença de Forame Oval Patente (FOP) ou ainda distúrbios da coagulação destacam se como as principais causas.

A dissecção arterial é um evento no qual as camadas da parede da arteira se separam gerando uma nova cavidade onde trombos e coágulos podem se formar e, posteriormente, migrar para porções mais distais dessa artéria provocando sua oclusão. Existe também a possibilidade dessa dissecção ser tão grande que provoca a oclusão in situ da artéria. Em ambos os casos o impedimento do fluxo de sangue gera o AVC/derrame por falta de sangue. Uma característica das dissecções de artérias do pescoço é se manifestar com dor no momento que ocorrem.

O forame Oval é um orifício que comunica os lados direito e esquerdo do coração durante a gestação, fechando-se logo após o nascimento. É sabido que cerca de 30% das pessoas adultas tem esse forame aberto e essas pessoas tem uma chance aumentada de desenvolver um AVC/Derrame. A importância do diagnostico desse forame está no fato de que algumas dessas pessoas teriam de fechar esse forame para reduzir o risco de novo AVC. Um dado interessante é que o FOP também está associado à Enxaqueca ou Migranea com Aura.

Já os distúrbios de coagulação são situações nas quais pessoas, que por algum mal funcionamento na capacidade do sangue formar e dissolver coágulos, tem propensão a formação de coágulos em diversas partes do corpo, inclusive no cérebro, provocando AVC.  Em geral, quando se trata de mulheres, podem também apresentar dificuldade para engravidar ou já tiveram abortos prévios, além de terem história de TVP (trombose venosa profunda) de repetição. Estes pacientes devem ser avaliados por especialistas em coagulação, o Hematologista.

 

Referências:

http://stroke.ahajournals.org/

http://www.neurology.org/

http://www.strokejournal.org/

*Dr. Bruno Rigon é Médico Neurologista – CRM-PR: 29596

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