Irresistível e doce vilão

Gostoso, saboroso, muito apreciado, mas o açúcar pode prejudicar nossa saúde SIM! Então o que fazer para adoçar nossa vida sem ele?

O açúcar pode reunir muitas qualidades como ser fininho, soltinho, branquinho, saboroso, apetitoso ao paladar, mas o seu consumo possui observações. O açúcar ou a sacarose é um carboidrato formado por glicose e frutose, é reconhecido por sua característica de palatabilidade, ou seja, de tornar os alimentos saborosos. Porém, com relação à importância nutricional, ele pode ser retirado do cardápio sem nenhum prejuízo para a saúde, pois ingerimos muitas outras formas de carboidratos em nossa dieta e estes, sim, são fundamentais.

Os carboidratos complexos estão presentes em cereais, pães, batata, mandioca, milho, leguminosas e também nas frutas e hortaliças. São eles, juntamente com os carboidratos simples (açúcar, frutose, lactose e glicose), os responsáveis pela geração de energia, facilmente estocada e utilizada pelo nosso corpo ao longo do dia.

A sacarose só tem um problema: quando consumida em demasia, ela é armazenada sob a forma de triglicérides, levando ao sobrepeso e à obesidade, que pode predispor a doenças, como hipertensão arterial e problemas cardiovasculares. As cáries dentárias também estão associadas a ela.

Diminuir o consumo desse doce vilão é um desafio para o nosso país, que é um dos maiores produtores mundiais do alimento, com um consumo diário de 200 gramas por pessoa (quantidade considerada até baixa se comparada aos 400 gramas diários dos americanos, mas bastante alta se levados em conta os pouquíssimos benefícios oferecidos ao organismo).

É durante o refinamento, processo em que são adicionados produtos químicos como clarificantes, antiumectantes e conservantes, que o açúcar perde componentes valiosos e torna-se pobre em termos nutricionais. Não desmerecendo a glicose (energia) fornecida ao organismo, o problema está na qualidade extremamente baixa dessa glicose e nos malefícios causados pela sua ingestão. O açúcar refinado possui as chamadas ‘calorias vazias’, ou seja, não tem nada a mais de nutrientes ou benefícios para oferecer.

Alimentos com alto teor de açúcar e aditivos possuem baixas quantidades de cromo, um dos minerais perdidos no refino. O cromo é necessário para a manutenção dos níveis de glicose no sangue. Quando essa taxa está descontrolada, podem ocorrer hiperatividade e aumento da agressividade.

Diante de uma vitrine repleta de guloseimas fica difícil não cair em tentação. Mas se a convivência pacífica entre o açúcar, a saúde e a silhueta impecável está ficando difícil, a solução é procurar escolhas saborosas e similares para fazer a substituição:

 

  • O açúcar mascavo é uma troca interessante, pois é considerado mais saudável do que o tradicional, por não levar adição de produtos químicos durante o processo de refino e não perder seus nutrientes assim como o açúcar Demerara.
  • O mel, um velho conhecido, que possui propriedades, vitaminas e minerais importantes para a saúde.
  • O açúcar light, com o diferencial de ser mais magro por utilizar um adoçante não calórico no seu preparo (na proporção de 50%); e
  • O açúcar orgânico, extraído do plantio de cana-de-açúcar, sem uso de adubos nem fertilizantes químicos.

 

 

Mas fiquem atentos em relação ao conteúdo de sacarose, pois não existe diferença entre mel, açúcar refinado, mascavo ou orgânico, todos eles têm quantidades de calorias similares, logo, provocam ganho de peso se consumidos demasiadamente da mesma forma.

Como estímulo para dispensar o açúcar, lembre-se que as antigas civilizações não utilizavam complementos na alimentação e até mesmo o mel era ingerido apenas como remédio.

Então mude seu paladar, comece a reduzir a quantidade de açúcar adicionado nas preparações como: bolos, sucos, sobremesas. Devagar você consegue se adaptar ao novo hábito desde que arrisque a mudança e persista!

E, se for impossível resistir, anote ai uma dica: consuma o açúcar tradicional junto com alguma fibra (aveia/linhaça/chia) para que ela ajude a reduzir sua absorção pelo organismo.

 

Mônica R. Pohlenz Stolarski é Nutricionista – CRN8 6467
Especialista em Nutrição Clínica e alimentação institucional.

Atende no antigo Filadélfia
Rua Mato Grosso, 640 – Centro
Marechal Cândido Rondon-PR
Fone: (45) 3284-7100

Quando menos é MAIS

Por Keli Lang Schäfer*

O açúcar não deve ocupar mais que 10% da alimentação diária, sendo que preferencialmente não deve-se passar dos 5%, mas não é bem isso que acontece atualmente na rotina dos brasileiros.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), estamos consumindo 50% a mais do açúcar que deveríamos. Esta ingestão representa 50g de açúcar por dia (em uma dieta de 2000 Kcal/dia).
Segundo o Ministério da Saúde, um em cada cinco brasileiros, consome doces cinco vezes ou mais na semana. “Temos que estar atentos aos produtos que consumimos, pois, o problema está no açúcar que não se vê, aquele que está ‘escondido’ na maioria dos alimentos industrializados”. É difícil ficar no limite diário, quando se consome industrializados, então a regra é: reduza ao máximo seu consumo!
Fique atento porque, a indústria coloca outros componentes que funcionam como açúcar, mas que não são chamados de açúcar. Por exemplo: Frutose, sacarose, açúcar invertido, xarope de glicose, maltodextrina, extrato de malte, dextrose, amido, sorbitol, mel, xylitol, galactose e manitol. ‘’Comer comida de verdade, dentro ou fora de casa é o ideal: arroz, feijão, legumes, folhosos, frutas e raízes. Essa alimentação nos nutre e limita o espaço para guloseimas no dia a dia’’.

Doenças nada doces
O açúcar pode ser tão prejudicial à saúde que a Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, declarou que seu consumo deve ser controlado assim como o álcool e o tabaco. Além disso, doenças açucaradas acabam sendo muito amargas no fim das contas, ainda mais para pessoas com predisposição à diabetes.
Diabetes é a doença mais citada como diretamente ligada ao consumo do açúcar, mas na verdade, este está por trás dos processos degenerativos e inflamatórios que determinam cânceres, envelhecimento precoce, morte prematura e até os transtornos do comportamento. Depressão, obesidade, cárie, mudanças de taxas de gordura, aumento dos triglicérides, são outros exemplos.

No cérebro
O efeito do açúcar no cérebro é comparado ao de drogas como heroína e cocaína.
Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Queensland, na Austrália, pessoas viciadas em açúcar deveriam ser tratadas como dependentes químicos.
Assim como a cocaína, o consumo excessivo de açúcar eleva os níveis de dopamina no cérebro (substância que proporciona a sensação de prazer). Portanto quanto maior for a quantidade de açúcar no sangue, mais o corpo pedirá açúcar.

Mudança no estilo de vida
O segredo da readaptação do estilo de vida é priorizar as gorduras boas e as proteínas. Ambas são responsáveis pela saciedade e necessidade nutricional do corpo. Consuma frutas, saladas, oleaginosas, azeite de oliva, abacate e quinoa.
As pessoas devem entender que comer bem é bom para todo mundo, para o planeta, para terra, para outras pessoas, para economia sustentável e para a própria saúde. Temos que pensar em comer bem, para viver bem.

Fique atento!
A vontade excessiva de comer doces pode estar ligada à falta de nutrientes no organismo como aminoácido triptofano, vitaminas do complexo B e magnésio, importantes para fabricação e serotonina. Quando estamos com níveis baixos de serotonina, procuramos prazer imediato e sensação de relaxamento no açúcar e no álcool.

Dos processados, os sucos de caixinhas e refrigerantes, são os grandes vilões!

 

* Keli Lang Schäfer é nutricionista e pós-graduada em Nutrição Humana com área de concentração em nutrição clínica – CRN 8 3198

Ela atende no Sempre Vida Consultórios
Rua Mato Grosso, 640 – centro, ao Antigo Filadélfia
Marechal Cândido Rondon-PR
Fone: 45 2031-0074