Emagrecer ou emagre‘s’er?

Por Fátima Tonezer*

 

Assistimos uma crescente escalada da obesidade no Brasil e no mundo. Falar da obesidade não é tarefa fácil, tampouco simples. Obesidade é uma doença multifatorial, que envolve fatores endógenos e exógenos.

Os fatores endógenos correspondem a 5% dos casos, e estão relacionados às características genéticas herdadas; já os exógenos, os 95% restantes, estão relacionados a fatores como nível de atividade física (ou sedentarismo), rotina alimentar, exposição ao estresse, problemas emocionais e comportamentais.

A obesidade é uma doença crônica de difícil tratamento e necessita de programas de tratamento de longo prazo.

E é sobre isso que quero falar hoje. Nosso contexto atual é de imediatismo em todos os níveis. Por isso quando alguém resolve emagrecer, quer resultados imediatos, de preferência para ontem.

Existem muitas opções de dietas miraculosas a pílulas mágicas disponíveis no mercado, que prometem secar as gorduras, mas que no final só contribuem para o efeito sanfona (engorda/emagrece) e aumenta a frustração e descrença na capacidade de alcançar o corpo tão desejado.

Costumo dizer que o emagrecimento é resultado de um tripé bem equilibrado: alimentação saudável + atividade física regular + controle emocional.

Geralmente quando querem emagrecer, as pessoas atropelam a parte emocional, gerando mais ansiedade e angústia.

O que está na raiz do sobrepeso, qual é a emoção ou emoções que dispararam os quilos a mais? Temos o hábito de fazer as mesmas coisas, esperando resultados diferentes.

Mas quem se propõe a fazer uma jornada de emagrecimento – isto mesmo, emagrecer é como iniciar uma viagem, com roteiro e destino certos para chegar – buscando uma verdadeira reeducação afetiva, cognitiva e comportamental, vive uma verdadeira transformação interna até chegar ao peso desejado.

Emagrecer é crescer, amadurecer, livrar-se de pesos e amarras emocionais. É aprender a lidar com a ansiedade, com o medo e as frustrações. Já o um emagre‘s’er é um caminho definitivo. E nesse caminho a pressa é inimiga da perfeição. Lembre-se: “Não tenha pressa, mas não perca tempo”.

 

* Fátima Tonezer é Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Cognitivo Comportamental. E Coaching em Emagrecimento Definitivo em formação.

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Marechal Cândido Rondon-PR

Quero Emagrecer Kids: O que a Psicologia tem a ver com isso?

A primeira vista pode parecer estranha a participação da Psicologia num programa de emagrecimento. Emagrecer não está relacionado somente à dieta, quantidade de calorias ingeridas, consumo de açúcar e gordura? Para emagrecer não é preciso só comer menos e fazer exercícios físicos? Assim, não seriam necessários somente uma Nutricionista e um Educador Físico no programa?

Antes de “simplificar” a questão do emagrecimento desta forma, é preciso considerar que existem fatores emocionais e comportamentais envolvidos nos processos tanto de ganho como de perda de peso. Afinal, não ouvimos sempre que somos seres compostos por corpo e mente e que um afeta o outro?

Então, o que a Psicóloga pode fazer no programa? O objetivo da Psicologia no Programa “Quero Emagrecer Kids” é ampliar a percepção das crianças e adolescentes em relação a seu corpo, à sua autoestima, as suas relações interpessoais e aos já mencionados fatores emocionais e comportamentais presentes no processo de tratamento.

Como a Psicologia faz isso? Através da realização de grupos (estão previstos 12 encontros com a Psicóloga durante o programa) em que, utilizando-se variadas técnicas e instrumentos, serão explorados os seguintes temas: autoconhecimento, autoimagem e coresponsabilização da criança e do adolescente pela sua saúde pelo seu tratamento.

Se conhecendo melhor (autoconhecimento) a criança e o adolescente poderão perceber o que as incomoda, o que as deixa tristes, chateadas e também o que as deixa felizes, o que as satisfaz e a relação de tudo isso com uma menor ou maior ingestão de alimentos.

Ao se trabalhar a autoimagem, as crianças e adolescentes irão novamente olhar para dentro de si mesmas e “descobrir” como elas se veem, como isso afeta sua autoestima e as relações delas com o mundo.

Coresponsabilizar das crianças e adolescentes por sua saúde e pelo seu tratamento não é culpabilizá-las por sua situação. A culpa paralisa, afeta negativamente autoestima. A responsabilização por sua vez, lhes dá uma dimensão mais real do que está acontecendo e as coloca numa posição de abertura para a ação, para mudanças.

Os grupos são uma grande oportunidade de acolhimento, de contato, de apoio, de formação de vínculos, de troca de afetos, de reflexão e de comunicação entre seus membros. Me diga se isso não é “coisa de Psicólogo”?

 

Sandra Stenzel é psicóloga (CRP – 08/22024)

Ela atende pelo Sempre Vida no antigo Filadélfia.

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