Quero Emagrecer!

Este é um texto técnico que tem como propósito projetar o programa de prevenção de doenças do Sempre Vida, Quero Emagrecer.

O programa Quero Emagrecer é um programa de busca passiva, ou seja, mecanismo pelo qual o beneficiário Sempre Vida possui livre adesão para encontrar na reeducação alimentar e na prática de atividade física a busca pela melhora da sua qualidade de vida.

 

Programa “Quero Emagrecer!”

 

Assumir a visão estratégica de olhar para o futuro e apostar nas mudanças que o ambiente produz. Investir na elaboração de trabalhos preventivos, que tenham por objetivo minimizar os gastos do plano de saúde e, ao mesmo tempo, oferecer maior qualidade de vida ao usuário que faz parte de sua carteira de clientes são os ideais do Convênio Sempre Vida.

Segundo Manual Técnico Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos e Doenças na Saúde Suplementar, 2ª Edição Revisada e Atualizada (ANS, 2007). “Ações de promoção e proteção da saúde são fundamentais para a reorientação dos modelos assistenciais, sendo uma estratégia de articulação transversal que objetiva a melhoria na qualidade de vida e a redução dos riscos a saúde, através da construção de políticas públicas saudáveis, que proporcionem melhorias no modo de viver”.

Em síntese, a sacada é assistir ao usuário antes dele chegar ao médico, o que evitará gastos com consultas, exames, internações ou até procedimentos mais complexos, que exigem dos recursos da estrutura do plano de saúde. Portanto, este programa pretende apostar na qualidade de vida e trabalhar com Prevenção de Doenças!

Esta campanha nasce com esta visão e parte do pressuposto de que é possível criar e oferecer um serviço ao usuário do plano de saúde Sempre Vida, que contribua para a prevenção de doenças e promoção a saúde.

“Quero Emagrecer!” é um programa desenvolvido em 18 módulos. A cada 21 dias os participantes se reunirão em grupos de até 30 pessoas. Em 12 destes encontros os participantes receberão orientações de nutricionistas sobre a alimentação saudável e mudanças de hábito que resultem na redução do peso. Nos outros 6 encontros um psicólogo abordará os estigmas do processo de emagrecimento e trabalhará o foco dos participantes no processo de reeducação alimentar.

Além dos encontros ordinários, acontecerão também palestras extraordinárias denominadas Palestras Magnas. Estes encontros têm como objetivo incorporar informações teóricas de profissionais de outras áreas – como médicos, educadores físicos, fisioterapeutas, etc – ao programa.

A partir da 5ª edição (2014), o profissional de educação física terá uma importância maior junto ao processo de emagrecimento. Estudos dos dados coletados nas edições anteriores mostraram que participantes que praticaram atividades físicas regularmente obtiveram resultados mais expressivos, enquanto os demais participantes tiveram resultados que variavam de levemente positivos a resultados negativos.

Foi então determinado pela coordenação do programa que a prática de atividade física pelos participantes deve ser de no mínimo duas vezes por semana em ambiente passível de controle. Ainda, a coordenação concordou em deixar em aberto a possibilidade dos participantes continuarem em suas práticas de atividades físicas particulares, desde que cumpram com as oferecidas pelo programa.

 

2 – Objetivo

                          A proposta do programa “Quero Emagrecer!” é minimizar os gastos do plano de saúde enquanto incentiva a adoção de uma alimentação saudável e prática de atividade física regular ao beneficiário Sempre Vida.

 

3 – Estratégia

                          Envolver as nutricionistas do “Sempre Vida – Centro Médico” num trabalho que atenda a grupos de pessoas com o interesse na proposta do programa, por meio de aulas que orientem aos participantes do programa a adotar hábitos saudáveis.

                          O processo de emagrecimento é algo que deve ir além da reeducação alimentar, e o próprio conceito de ‘programa de prevenção de doenças’ propõem a interdisciplinaridade como canal de execução. Portanto, um psicólogo trabalhará em aulas teóricas paralelamente as aulas aplicadas pelas nutricionistas, enquanto o profissional de educação física também atuará para que o objetivo da redução de peso do participante seja alcançado.

 

3.1 – Metas/O que esperamos?

 Melhorar a qualidade de vida através da adoção de hábitos saudáveis;

  • Reduzir no número de cirurgias bariátricas;
  • Reduzir doenças cardiovasculares através da adoção de hábitos alimentares saudáveis;
  • Reduzir a procura do usuário Sempre Vida aos consultórios médicos com problemas relacionados a obesidade (hipertensão, …);
  • Diminuir problemas ortopédicos e procedimentos cirúrgicos relacionados à obesidade (hérnia de disco, fibromialgia, artrose, artrite, …);

 

Sobre a Prática de Atividade Física

A partir da quinta edição do Programa Quero Emagrecer, o Sempre Vida passa a oferecer gratuitamente sessões de atividades físicas orientadas por profissional de educação física.

Na Clínica Sempre Vida de Fisioterapia a prática de atividade física acontecerá no espaço ao fundo da clínica, oportunizando ao profissional de educação física a liberdade de utilizar também as vias urbanas para, como por exemplo, fazer caminhadas, ou mesmo, aproveitar os ambientes que as praças públicas oferecem para estas atividades. Durante os dias de chuva, os participantes ocuparão o saguão da piscina da clínica para a prática de atividade física. As sessões de atividade física que tem como ponto de encontro e prática a clínica de fisioterapia. Nela as sessões acontecerão nas quartas e sextas feiras, das 18:15 às 19:15. Momentos e espaço que estão disponíveis para atender a todos os participantes do programa.

Já na AACC, a prática de atividade física acontecerá na sala de treinamentos (antiga academia da AACC). As aulas com o profissional de educação física acontecerão nas terças e quintas feiras, das 19 às 20 horas, momento que é destinado especificamente para os participantes que são colaboradores da Copagril.

 

Sobre a Aplicação do Programa Quero Emagrecer

A profissional de nutrição abordará o tema do módulo previsto no cronograma pré-estabelecido, de forma interativa e dinâmica. A expectativa é que seja possível levantar as questões do cotidiano dos participantes e detectar os motivos que contribuem para o ganho de peso, bem como, esclarecer dúvidas comuns e explicar sobre a importância da adoção de hábitos de vida saudáveis.

A estratégia é usar de informação para aproximar os pacientes da nutricionista para vencer o sobrepeso/obesidade e assim ensiná-los a lidar/confrontar (com) a situação a partir do autoconhecimento.

A abordagem que dará início à reeducação alimentar explicará as propriedades dos alimentos, seus benefícios, quantidade de cada alimento a ser consumida, bem como oportunizará a introdução de novos hábitos na dieta do participante.

O mecanismo eleito para ser o principal canal de interação entre os profissionais do programa e os participantes é o caderno/diário alimentar. Nele serão relatados os hábitos alimentares e sentimentos que os participantes têm em sua rotina. O diário será entregue de tempos em tempos para as nutricionistas, que farão observações e orientarão individualmente o participante por meio deste canal.

Quando for necessário, os profissionais do programa podem fazer contato por telefone, ou ainda, sugerir uma consulta para orientar o participante.

Nas aulas aplicadas pelas nutricionistas, as medidas antropométricas serão monitoradas. O peso de cada participante será monitorado a cada encontro. Já coleta dos demais dados antropométricos acontecerão a cada quatro encontros com as nutricionistas.

Todas as informações dos participantes do programa serão lançadas em uma planilha para que seja possível acompanhar a evolução do programa, bem como a definição do perfil dos participantes. Portanto, esta planilha servirá para análise da evolução individual e estatística do programa.

As nutricionistas e a psicóloga poderão recomendar aos participantes acompanhamento psicológico individualizado para tratar casos de ansiedade ou, ainda, se detectar que o participante é portador de distúrbios alimentares – neste caso, sem ônus para o participante. Também, poderá ser solicitado tratamento de acupuntura em casos em que as nutricionistas e/ou psicóloga que conduzem o programa entender que é o caminho apropriado para tratar de ansiedade do participante.

Prevenção de Doenças x Promoção da Saúde

PREVENÇÃO DE DOENÇAS

O termo Prevenção está relacionado a medidas tomadas antes do surgimento ou agravamento de uma condição mórbida ou de um conjunto dessas (LEFEVRE, 2004). Portanto, prevenir também significa agir para que a doença manifeste-se de forma mais branda no indivíduo ou no ambiente coletivo.

O movimento da medicina preventiva surgiu, entre o período de 1920 e 1950 na Inglaterra, EUA e Canadá, em um contexto de crítica à medicina curativa. Este movimento propôs uma mudança da prática médica através de reforma no ensino médico, buscando a formação de profissionais médicos com uma nova atitude nas relações com os órgãos de atenção à saúde; ressaltou a responsabilidade dos médicos com a promoção da saúde e a prevenção de doenças; introduziu a epidemiologia dos fatores de risco, privilegiando a estatística como critério científico de causalidade (CZERESNIA, 2003, p.04).

Segundo Arouca (1975 apud CZERESNIA, 2003), o discurso da medicina preventiva emergiu em um campo formado por três vertentes: a Higiene, que surgiu no século XIX; a discussão dos custos da assistência médica; a redefinição das responsabilidades médicas que aparece no interior da educação médica.

PROMOÇÃO DA SAÚDE

De modo geral, a Promoção da Saúde é vista como o conjunto de ações cujo objetivo é tratar as doenças: avaliações médicas preventivas, consultas, exames, ou ainda, há quem pense em programas de vacinação ou mutirões de profissionais da ‘saúde/doença’ na expectativa de promover saúde. Segundo Lefevre, “Promoção da Saúde representa uma possibilidade concreta de ruptura de paradigma no campo da saúde” (2007, p.31).

Ao contrário dos Programas de Prevenção de Doenças, o formato dos Programas de Promoção da Saúde deve ser pensado de modo a gerar uma mobilização que aproveite o conhecimento adquirido para investir no campo sanitário. A proposta de pensamento deve interferir diretamente no cerne do modo de vida das pessoas e melhorar de forma direta a condição e a qualidade de vida. Isso implica em declarar guerra ao sedentarismo, investir na reeducação alimentar de qualidade e no crescimento cultural do indivíduo, para que sua imunidade fisiológica fique em alta.

[…] doenças devem ser vistas como anormalidades, como exceções, conseqüências de erros, desequilíbrios, injustiças, opções inadequadas, interesses mesquinhos, etc. Algumas doenças continuarão sempre existindo, mas um grande número delas pode deixar de existir se os homens mudarem seu estilo de vida, se passarem a construir e a viver em cidade e países saudáveis (LEFEVRE, 2007, p.41).

É importante observar que a primeira definição de saúde é “bom estado do indivíduo, cujas funções orgânicas, físicas e mentais se acham em situação normal” (Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.0.18, 2004). Ou seja, o caminho para Promover a Saúde não é ir ao médico fazer um check-up. Este tipo de comportamento contribui apenas para lotar a agenda de atendimento dos médicos. O que um médico pode fazer efetivamente é detectar/diagnosticar a doença já existente, ou seja, se não existe doença não há o que diagnosticar. Enfim:

Os primeiros conceitos de Promoção da Saúde foram defini­dos pelos autores Winslow, em 1920, e Sigerist, em 1946. Este definiu como as quatro tarefas essenciais da medicina: a promo­ção da saúde, a prevenção das doenças, a recuperação e a rea­bilitação. Posteriormente, Leavell e Clark, em 1965, delinearam o modelo da história natural das doenças, que apresenta três níveis de prevenção: primária, secundária e terciária. As medi­das para a promoção da saúde, em nível de prevenção primário, não são voltadas para determinada doença, mas destinadas a aumentar a saúde e o bem-estar gerais (ANS, 2009, p.18).

Conceitualmente, Leavell e Clark sugeriam que o foco central desta discussão da Promoção da Saúde fosse o indivíduo, incluindo de forma significativa a família ou certos grupos de pessoas (1965 apud ANS, 2009, p.18).

Mas para BUSS, este método era falho em um ponto. Ele percebeu que, quando o assunto se voltava para doenças crônicas não transmissíveis, os esforços de atuação deveriam ser mais abrangentes, de modo a influir – inclusive – no ambiente e no estilo de vida das pessoas (2003 apud ANS, 2009).

Um contraponto interessante pode ser encontrado ao lançarmos olhar para o panorama atual em que postos-de-saúde, prontos-socorros e unidades da rede pública de atendimento a saúde oferecem filas de espera e uma estrutura focada no atendimento de assistência ao doente. São lógicas distintas. Enquanto os pensadores propõem um trabalho voltado a pessoa e não à doença, no estado as redes de atendimento a saúde trabalham com um modelo que evoluiu com o propósito curativo.

Em 1974, um estudo realizado no Canadá apontou que os custos da assistência à saúde da população eram crescentes, e nele foi observado também que os resultados do modelo assistencial vigente eram pouco significativos (ANS, 2009). A partir desta avaliação foi possível constatar que as principais causas de “morbimortalidade” canadense estavam diretamente ligadas a dois fatores: a biologia humana e aos aspectos do estilo de vida. Por isso, a maior parte dos gastos do estado, voltados a saúde, estava relacionado à assistência curativa. A resultante deste estudo foi a implantação de um movimento de Promoção da Saúde em que “foram propostas cinco estratégias para abordar os problemas do campo da saúde: promoção da saúde, regulação, eficiência da assistência médica, pesquisa e fixação de objetivos” (ANS, 2009, p.18).

Atualmente, para entender a “Promoção da Saúde como uma mudança de paradigma é preciso enfrentar uma discussão que permita distinguir Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças, já que prevenção ainda está associada ao antigo paradigma” (LEFEVRE, 2007, p.34). Leavell e Clark reforçam o conceito sugerindo que ações de Promoção da Saúde são medidas adotadas que não são dirigidas a nenhuma doença ou agravo em particular; mas causam impactos positivos sobre a saúde da coletividade (1976 apud ANS, 2010).

É preciso deixar claro que ao falar de Promover Saúde estamos falando de abolição do sedentarismo, prática frequente de atividades físicas, alimentação equilibrada e de qualidade e, por último, mas não menos importante o investimento em saneamento básico. A Promoção da Saúde busca atingir as causas mais básicas, melhorar a resistência do indivíduo ou do coletivo, e não apenas evitar que as doenças se manifestem, “trata-se de um horizonte, de uma imagem-objeto ou de uma utopia” (LEFEVRE, 2007, p.37).

Pensadores como Lefevre criticam o uso da máquina no trabalho de Promoção da Saúde. O pensador diz que ela pode estar sendo usada para deslocar a saúde do seu espaço político nobre sob alegação de que a saúde é outra coisa diferente de doença. Segundo ele, o desfecho disso é a tecnologia hegemônica reinando inconteste sobre o campo sanitário, relegando a Saúde Coletiva ou Pública à condição de articuladora de uma estratégia compensatória que, sob uma roupagem vagamente progressista, destina-se, no fundo, a bloquear o acesso das massas pauperizadas e excluídas do mercado de consumo de bens de saúde. Para Lefevre, isso coloca em cheque a própria concepção moderna de Saúde Coletiva (2007, p.10).