Que Zika ‘é essa’?

* Por: Bruno Rigon

 

O vírus Zika não é novidade no meio cientifico. Teve seus primeiros relatos por volta do ano de 1950, infectando Macacos Réus, das florestas da Uganda, que eram modelos estudos de Febre amarela. Após isso, surtos isolados de identificação do vírus ocorreram em alguns países da África e Ásia, até que, em 2007 causou a primeira epidemia conhecida na Micronésia.

Assim como a Dengue e a Febre amarela, o Zika é transmitido pela picada de mosquitos contaminados. No caso do Brasil esse mosquito é o Aedes Aegypti, que tem ampla disseminação pelo país e vem causando surtos e epidemias de Dengue ao longo das últimas décadas.

Até pouco tempo a infecção pelo vírus Zika não era visto com grande preocupação, pois a maioria dos casos relatados eram benignos, com sintomas semelhantes a Dengue, porém, sem os ricos de hemorragias que a Dengue traz.

Mas tudo isso tem mudado, pois no Nordeste brasileiro, local que ocorreu uma grande epidemia de Zika em 2014, foi observado que alguns dos pacientes, após infeção pelo Zika, desenvolveram a Síndrome de Guillain Barre, doença que causa fraqueza dos membros com padrão ascendente, ou seja, iniciando se nas pernas, progredindo para os braços e algumas vezes cursando com dificuldade para respirar. Mas, ainda que potencialmente grave e capaz de gerar sequelas, a Síndrome de Guillain Barre tem tratamento.

Alguns meses após esse surto no nordeste, os Neuropediatras da região começaram a perceber que a frequência de crianças que nasciam como Microcefalia estava aumentando, foi quando aventou-se a hipótese de a Microcefalia ser causada pela infeção por Zika. Atualmente, essa associação de infeção por Zika na gestação e Microcefalia é bem aceita, já sabemos que, além da picada do mosquito, outras vias de infecção são possíveis como na relação sexual, transfusão sanguínea e transplacentaria, da mãe para o feto.

Ainda não dispomos de métodos preventivos, como vacinas, mas, assim como outras doenças causadas por picadas de mosquito, a principal forma de prevenção é a eliminação da capacidade de procriação desses mosquitos. No interior de São Paulo existe um estudo que demonstra bons resultados. Mosquitos geneticamente modificados, que geram filhos inviáveis (não viram mosquitos adultos) e são soltos nas cidades, reduzindo a população de mosquitos adultos viáveis e, consequentemente, a incidência de doenças causadas por eles.

Mesmo na era dos mosquitos transgênicos, nossa principal arma ainda é a prevenção, cuidando de nossos quintais, não deixando água parada ou focos para procriação dos mosquitos. Faça você também e sua parte e mantenha todos livres dessa ameaça.

 

Fonte:  www.fda.com

www.nlm.nih.gov

www.planetasustentavel.abril.com.br

 

* Dr. Bruno Rigon é Médico Neurologista – CRM-PR: 29596

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